Tabagismo - Mulheres tem mais dificuldade em largar o cigarro



Nas últimas décadas, houve uma crescente no número de mulheres que começaram a fumar cigarros. Impulsionadas, em sua maioria, por fatores psicológicos e marketing direcionado das empresas fabricantes de cigarro, como os cigarros "light", "ultra light" e outros com nomes em alusão à perda de peso, novas piteiras e cigarros com sabores, o vício tem causado problemas devido aos perigos do tabaco e outras substâncias tóxicas.

O Cigarro

Como se sabe, o cigarro contém uma mistura de 4720 substâncias tóxicas, como o monóxido de carbono, alcatrão e nicotina. O monóxido de carbono quando inalado pelos pulmões vai para o sangue e diminui a capacidade do mesmo em transportar oxigênio. A nicotina diminui  a capacidade de circulação do sangue, aumenta o depósito de gorduras nas artérias e vasos, sobrecarregando o coração e podendo levar ao infarto. Promove um aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial.

O Vício

As mulheres, ao contrário dos homens, têm mais dificuldade em largar o vício em cigarro. Isso acontece, segundo o pneumonologista Luiz Carlos Corrêa da Silva, coordenador da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia, em decorrência de fatores hormonais, psicológicos e sociais. Segundo a última pesquisa da Vigitel 2013, do Ministério da Saúde, o número de ex-fumantes no país é maior entre os homens (26,0%) do que entre as mulheres(18,6%).

Pesquisa recente feita pelo Centro de Referência e Tratamento do Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) de São Paulo constatou que apesar de elas serem maioria entre os que buscam tratamento para abandonar o vício, as mulheres  têm mais dificuldade do que os homens em manter-se abstêmias. O levantamento foi feito com 500 pacientes que buscaram ajuda médica no Cratod. Do total, 63% eram mulheres. Por outro lado, enquanto 47% dos pacientes do sexo masculino já haviam conseguido ficar longos períodos sem fumar (mais de um ano), entre elas, essa taxa recuou para 34%.

O Hospital A.C. Camargo de São Paulo também fez um estudo do gênero com 6 mil pacientes que buscaram apoio para abandonar o vício. Segundo o levantamento, as mulheres tendem a usar o cigarro para diminuir sintomas de ansiedade e depressão, ao contrário dos homens, que na grande maioria das vezes fumam por prazer. Com isso, na hora de deixar o vício, uma série de fatores psicológicos entra em jogo.

Os Efeitos


Em mulheres, dentre os efeitos do fumo a médio e longo prazo estão: diminuição da capacidade respiratória, infecção respiratória, aumento do risco de aterosclerose, sendo responsável por 90% dos casos de infarto em mulheres abaixo de 50 anos, além de câncer, aumento de rugas na pele e inflamação das gengivas. A mulher gestante que fuma, pode gerar um bebê de baixo peso, além do risco de morte durante a gestação e placenta prévia. 

Ainda analisando os efeitos, a alteração dos níveis hormonais, principalmente estrógeno e prolactina, pode aumentar os níveis de catecolaminas, formação de coágulos que aumentam o risco de embolias e problemas cardiológicos. Dados demonstram que mulheres que iniciam o uso de cigarro antes dos 17 anos de idade tem sua menopausa antecipada para os 40 anos. Torna-se importante ressaltar que o cigarro associado ao uso do anticoncepcional tem 10 vezes maior risco de ocasionar infarto, embolia pulmonar e tromboflebite.

A questão hormonal, principalmente para aquelas que estão entrando na menopausa, também interfere. O cigarro antecipa a menopausa, e nesse período, ainda de acordo com o especialista, o organismo da mulher sofre algumas alterações, como ondas de calor, suores noturnos, autoestima baixa e depressão, fatores que facilitam o apelo ao vício. Com o fim do ciclo reprodutivo, o corpo deixa de produzir estrógeno, o hormônio sexual feminino. Como a substância protege ossos e artérias, sobretudo, a falta de estrógeno deixa a mulher mais suscetível a doenças do coração.

“Além da questão da menopausa, é de extrema importância alertar as mulheres, principalmente as mais jovens, sobre o uso de cigarros e anticoncepcional. O uso dessas duas substâncias aumenta em 30 vezes o risco de trombose venosa profunda, que afeta os membros inferiores, gerando trombos que podem se desprender, cair na corrente sanguínea e ir para os pulmões, para o cérebro e outras regiões, causando derrame, por exemplo”, alerta o pneumologista Luiz Carlos Corrêa da Silva.

O Tratamento

O conhecimento destes mecanismos pela paciente é extremamente importante para o sucesso do tratamento. A cessação do tabagismo deve ser encorajada, independente dos fatores adversos, pois ansiedade, baixa auto-estima e pouca resistência à frustração são sintomas presentes na interrupção da nicotina. Os grupos de ajuda para cessação do fumo, tem obtido resultados consideravelmente positivos, ajudando a evitar a recaída para o cigarro.


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